• Irlanda: para morar ou só para visitar

    Irlanda: para morar ou só para visitar

    Se você está considerando vir visitar a Irlanda, mas ainda não sabe por quanto tempo, pode ser muito útil saber qual é a diferença entre visitar a Irlanda e efetivamente morar aqui. Pode ser interessante conhecer os dois lados da moeda com alguém que já teve um pouco das duas experiências.

    Em agosto de 2016 resolvi viajar sozinha pela primeira vez, e escolhi a Irlanda, mais especificamente Dublin, para ficar por um mês. Vim totalmente como turista, com o dinheiro contado para a viagem e com uma só preocupação na mente: conhecer o maior número de lugares possível. Dois anos depois, eis que aqui me encontro novamente, mas dessa vez para uma temporada maior, para também trabalhar e estudar inglês. Foi então que percebi o quão diferente pode ser a Irlanda para essas duas situações, e resolvi falar um pouco sobre isso!

     

    Turistar pela Irlanda: como é ser somente turista?

     

    Uma coisa é garantida: atividades pela Irlanda não vão faltar! O país é cheio de belezas naturais, lindas construções, museus de todos os tipos e, é claro, pubs, como você não vai encontrar em nenhum outro país. Então não falta ocupação, independente do tempo que você quer ficar por aqui. No meu caso, foram 30 dias. Fiz 3 semanas de curso de inglês, e nos finais de semana conseguia cada dia ir para um lugar diferente, alguns mais distantes, como Belfast, Galway, Cliffs of Moher, Rope Bridge, e outros mais próximos, como Malahide, Bray, e Howth. Um ponto a destacar é que passei esse mês aqui durante o verão, então o clima não foi um problema e não impediu nenhum dos meus passeios.

    Cliffs of MoherCliffs of Moher

    Além disso, durante a semana me empenhei em conhecer diversos dos pontos turísticos em Dublin mesmo, como a fábrica da Guinness, os museus de arte e de história, os parques e tantos pubs quantos eu conseguisse visitar. Provei diversos tipos de cerveja e cidras, além de outras bebidas como o Irish Coffee, e outras comidas como o Irish Breakfast (foto abaixo). Comprei uma bicicleta para tornar meu deslocamento mais eficiente, e consegui me deslocar facilmente na cidade, por mais que o sentido do trânsito fosse o contrário do que estava acostumada.

    Irish Breakfast

    Irish Breakfast

    Foi então que um de meus amigos me disse uma coisa que me fez refletir: você fez mais coisas em um mês do que muitos fazem em um ano! Pois então, realmente, tive a oportunidade de aproveitar muito do que o país tem a oferecer, mas sempre lidando com o problema de que meu dinheiro estava contado, sempre cozinhando meu almoço e levando sanduíches para qualquer lugar que fosse visitar, para não gastar com restaurantes. Como aqui a cerveja era cara, raramente tomava mais do que uma pint, e algumas vezes até nenhuma. Na verdade, dado o custo de vida aqui e a taxa de câmbio de reais para euros, qualquer atividade era cara, com exceção do mercado.

    Mas agora, a segunda vez que estou por aqui, entendo perfeitamente o que esse meu amigo quis me dizer, e posso dizer que concordo plenamente.

     

     

    Morar na Irlanda: como é ter uma rotina no país?

     

    Então, quando cheguei aqui pela segunda vez, já conhecia uma boa parte da cidade, e já tinha visitado alguns lugares… mas a vontade de explorar ainda era a mesma. Mas a situação como um todo era bastante diferente: eu passaria ao todo 8 meses em Dublin, e para todo esse tempo havia trazido somente a quantidade obrigatória de 3 mil euros. Então, minha primeira prioridade era conseguir um emprego, para então poder bancar todos os meus planos de viagem, tanto pela Irlanda quanto pelo resto da Europa. E aos que estão na busca por emprego, sabem que não é nada fácil. Recebemos muitos nãos, muitas vezes somos ignorados, e ainda quando aparece uma entrevista, as chances de contratação são pequenas. Aí começamos a duvidar que vamos conseguir algum emprego, e achamos que temos que economizar cada centavo para não faltar no final. É uma situação bem desanimadora

    Foi então que consegui um emprego, para trabalhar 6 dias por semana, uma quantidade boa de horas. Duas semanas depois, consegui mais um emprego, e pensei: porquê não, assim vou poder economizar para o verão. Assim, estou 100% do tempo durante a semana ocupada, e domingo tem sido meu único dia de descanso… e geralmente, têm chovido nos domingos. Ainda, só pude me empenhar em trabalhar em dois lugares diferentes porque tenho o suporte do meu namorado, que cuidou de outras burocracias que sem ele eu teria que resolver. Assim foi com os documentos do GNIB, do PPS e para abrir uma conta em um banco irlandês, uma dor de cabeça sem tamanho.

    GNIB - morar

    GNIB: o documento de visto irlandês

     

    compreendi perfeitamente a diferença entre vir para cá só para visitar ou para morar: não podemos simplesmente fazer o que quisermos. E o que percebi na verdade foi além disso: em qualquer lugar que moremos será assim, compromissos e contas a pagar, com a diferença de que aqui também temos que comparecer ao curso de inglês e encaminhar diversos documentos que no Brasil já foram encaminhados em algum momento de nossa vida.

    Mas essa não deixa de ser grande parte da experiência: morar e trabalhar fora é muito enriquecedor, profissionalmente talvez, mas pessoalmente com certeza. Temos que aprender a nos virar em outra língua, lidar com novas pessoas e nos encaixar em novas culturas. Não conseguimos viajar todo o final de semana, mas conseguimos economizar dinheiro para viagens ainda maiores. Não conseguimos ir todos os dias em um pub diferente, mas podemos ficar para os grandes shows que acontecem na cidade.

    Então, as duas opções, morar e visitar, têm vantagens e desvantagens, como qualquer coisa na vida. Eu, particularmente, não me arrependo de ter testado as duas.

     

     

    It's only fair to share...Share on Facebook
    Facebook
    Tweet about this on Twitter
    Twitter
    Share on Google+
    Google+
    Share on LinkedIn
    Linkedin

    Comments are closed.